sexta-feira, 21 de julho de 2017

"Por Cerros e Vales" - uma viagem de Brito Camacho com Castro Verde pelo meio

"Por Cerros e Vales" é um extraordinário livro de viagens de Brito Camacho com um seu amigo, o Dr. Moura Pinto. Começando no Barlavento algarvio, o conhecido político, médico e homem de letras aljustrelense, vai até às Beiras, passando por Castro Verde, desce pelo Alto Alentejo no sentido de Lisboa, mas sem deixar de passar, de novo, pelos Campos de Ourique e por Sagres... As suas descrições da paisagem, dos sítios, dos modos de vestir e falar das gentes são verdadeiros documentos etnográficos, antropológicos e urbanísticos para um país de interior há muito a "gozar" dos mesmos males: falta de investimento, falta de gente, más infraestruturas... Na releitura deste pequeno livro, Brito Camacho conta algumas histórias extraordinárias (uma das quais hilariante sobre a promessa de chuva que lhe fez o S. Miguel, o da Capela de S. Miguel, junto ao Monte dos Gregórios") que ajudam a compreender melhor a nossa realidade social. Mas há uma referência que é uma novidade para nós, e que interessa, sobretudo, às gentes de Castro Verde. A para nós conhecida como capela de S. Sebastião, das Bicadas, dizem alguns, era no princípio do século XX conhecida por Capela de Nossa Senhora das Neves. Ele o diz. E nós o confirmámos recentemente com algumas pessoas de Almeirim.
A edição é de 1931.


sexta-feira, 9 de junho de 2017

III Encontro da Cátedra da Unesco, em Castro Verde

É já no dia 22 de junho, no Fórum Municipal, que se realiza em Castro Verde o III Encontro da Cátedra Unesco em Património Imaterial e saber-fazer tradicional.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Francisco Lobo: produzir cal com 10 anos...

Francisco Lobo nasceu em 1920, nas terras do Lombador (Castro Verde). Dos 11 anos aos 30/32 trabalhou nos Fornos de Cal do seu pai, João Francisco Lobo. Carregar lenha, carregar pedra, enfornar, tirar a cal do forno... Os fornos, junto à ribeira de Cobres, nos Porteirinhos, Almodôvar, são um excelente exemplo de uma arquitectura (extinta) aproveitando a orografia e os recursos. Pedra assente em barro junto a zona de água e pedra "calcária". Fazia-se cal quase todo o ano, mas aproveitava-se sobretudo o tempo quente. Estevas, loendros, juncos, toda a vegetação servia para queimar, nas quase 100 carradas de lenha que eram necessárias para fazer as duas fornalhas dos dois fornos que a família levava. Dormia-se numa cabana de mato que, quando chovia, não cobria nada. Fugia-se então para uma espécie de gruta que havia na pedreira. Na foto, Francisco Lobo (97 anos) e o seu filho Arlindo na visita que realizámos hoje, 6 de junho, numa viagem que o levou a contar histórias de há 80/70 anos. estórias...


A pedreira, junto da qual se construíram quatro fornos


1889, data de construção do maior forno do conjunto de seis da zona


entrada para o grande forno que, segundo o nosso interlocutor, só cozeu uma vez



aspecto da abóboda


imagem de conjunto e da boca do forno


Francisco Lobo (97 anos) e o seu filho Arlindo


Um dos fornos de cal e a ribeira de Cobres ao fundo


Texto e fotografias: Miguel Rego

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Posto Agrário, em Castro Verde, na Herdade da Navarra


No processo de construção do país pós-republicano, onde a técnica e a inovação, o experimentalismo e o saber procuravam fazer esquecer o Portugal medievo da Monarquia, o Ministério de Fomento reorganizou os Postos Agrários (Dec.976, de 16 de outubro de 1914). Uma das principais medidas foi a criação de novos Postos, impulsionando os ensaios agrícolas, sobretudo nas áreas da pomicultura, fruticultura e culturas cerealíferas.
Neste âmbito, foi criado um Posto Agrário em Castro Verde, pelo Decreto Nº 2340, de 19 de abril de 1916, sob a assinatura do Ministro Francisco José Fernandes Costa.
Este Posto funcionou na Herdade da Navarra, com cujos proprietários foi estabelecido um contrato de arrendamento por escritura pública a 2 de março de 1916 [sic].
Logo nesse ano foi destinada a quantia de 800$00 para o seu funcionamento.
No entanto, a sua vida foi curta.
A 29 de junho de 1934, o Decreto-lei 24109 extingue o Posto Agrário de Castro Verde, assim como os de Aveiro, Guimarães e o do Alto-Mondego. A sua liquidação ficou a cargo do Posto Agrário de Beja e a sua liquidação ter-se-á efectuado até ao dia seguinte.
Assinavam o Decreto o Presidente da República, Óscar Carmona, o Chefe do Governo, António de Oliveira Salazar e o Ministro da Agricultura à época, Leovigildo Queimado Franco de Sousa.


Encontro de violas campaniças em Castro Verde


terça-feira, 30 de maio de 2017

Mastros Populares nos polos do Museu da Ruralidade

Durante o mês de Junho vamos andar em volta da tradição dos mastros. Lombador e Aivados já começaram a preparar os seus mastros e o baile do Lombador será no dia 10 de Junho, a partir das 20 horas. Aqui, o Núcleo da Tecelagem associa-se à Associação Peixe Voador que, há vários anos, mantém viva a tradição. Nos Aivados as oficinas iniciam-se no dia 1 de Junho. Está feito o convite à participação!


Rede de Museus do Baixo Alentejo promove "Escrita no Baixo Alentejo"