"Por Cerros e Vales" é um extraordinário livro de viagens de Brito Camacho com um seu amigo, o Dr. Moura Pinto. Começando no Barlavento algarvio, o conhecido político, médico e homem de letras aljustrelense, vai até às Beiras, passando por Castro Verde, desce pelo Alto Alentejo no sentido de Lisboa, mas sem deixar de passar, de novo, pelos Campos de Ourique e por Sagres... As suas descrições da paisagem, dos sítios, dos modos de vestir e falar das gentes são verdadeiros documentos etnográficos, antropológicos e urbanísticos para um país de interior há muito a "gozar" dos mesmos males: falta de investimento, falta de gente, más infraestruturas... Na releitura deste pequeno livro, Brito Camacho conta algumas histórias extraordinárias (uma das quais hilariante sobre a promessa de chuva que lhe fez o S. Miguel, o da Capela de S. Miguel, junto ao Monte dos Gregórios") que ajudam a compreender melhor a nossa realidade social. Mas há uma referência que é uma novidade para nós, e que interessa, sobretudo, às gentes de Castro Verde. A para nós conhecida como capela de S. Sebastião, das Bicadas, dizem alguns, era no princípio do século XX conhecida por Capela de Nossa Senhora das Neves. Ele o diz. E nós o confirmámos recentemente com algumas pessoas de Almeirim.
A edição é de 1931.
sexta-feira, 21 de julho de 2017
sexta-feira, 9 de junho de 2017
III Encontro da Cátedra da Unesco, em Castro Verde
É já no dia 22 de junho, no Fórum Municipal, que se realiza em Castro Verde o III Encontro da Cátedra Unesco em Património Imaterial e saber-fazer tradicional.
terça-feira, 6 de junho de 2017
Francisco Lobo: produzir cal com 10 anos...
Francisco Lobo nasceu em 1920, nas terras do Lombador (Castro Verde). Dos 11 anos aos 30/32 trabalhou nos Fornos de Cal do seu pai, João Francisco Lobo. Carregar lenha, carregar pedra, enfornar, tirar a cal do forno... Os fornos, junto à ribeira de Cobres, nos Porteirinhos, Almodôvar, são um excelente exemplo de uma arquitectura (extinta) aproveitando a orografia e os recursos. Pedra assente em barro junto a zona de água e pedra "calcária". Fazia-se cal quase todo o ano, mas aproveitava-se sobretudo o tempo quente. Estevas, loendros, juncos, toda a vegetação servia para queimar, nas quase 100 carradas de lenha que eram necessárias para fazer as duas fornalhas dos dois fornos que a família levava. Dormia-se numa cabana de mato que, quando chovia, não cobria nada. Fugia-se então para uma espécie de gruta que havia na pedreira. Na foto, Francisco Lobo (97 anos) e o seu filho Arlindo na visita que realizámos hoje, 6 de junho, numa viagem que o levou a contar histórias de há 80/70 anos. estórias...
A pedreira, junto da qual se construíram quatro fornos
1889, data de construção do maior forno do conjunto de seis da zona
entrada para o grande forno que, segundo o nosso interlocutor, só cozeu uma vez
aspecto da abóboda
imagem de conjunto e da boca do forno
Francisco Lobo (97 anos) e o seu filho Arlindo
Um dos fornos de cal e a ribeira de Cobres ao fundo
Texto e fotografias: Miguel Rego
quarta-feira, 31 de maio de 2017
Posto Agrário, em Castro Verde, na Herdade da Navarra
No processo de construção do país pós-republicano, onde a técnica
e a inovação, o experimentalismo e o saber procuravam fazer esquecer o Portugal
medievo da Monarquia, o Ministério de Fomento reorganizou os Postos Agrários
(Dec.976, de 16 de outubro de 1914). Uma das principais medidas foi a criação
de novos Postos, impulsionando os ensaios agrícolas, sobretudo nas áreas da
pomicultura, fruticultura e culturas cerealíferas.
Neste âmbito, foi criado um Posto Agrário em Castro Verde,
pelo Decreto Nº 2340, de 19 de abril de 1916, sob a assinatura do Ministro
Francisco José Fernandes Costa.
Este Posto funcionou na Herdade da Navarra, com cujos
proprietários foi estabelecido um contrato de arrendamento por escritura
pública a 2 de março de 1916 [sic].
Logo nesse ano foi destinada a quantia de 800$00 para o seu
funcionamento.
No entanto, a sua vida foi curta.
A 29 de junho de 1934, o Decreto-lei 24109 extingue o Posto
Agrário de Castro Verde, assim como os de Aveiro, Guimarães e o do
Alto-Mondego. A sua liquidação ficou a cargo do Posto Agrário de Beja e a sua
liquidação ter-se-á efectuado até ao dia seguinte.
Assinavam o Decreto o Presidente da República, Óscar
Carmona, o Chefe do Governo, António de Oliveira Salazar e o Ministro da
Agricultura à época, Leovigildo Queimado Franco de Sousa.
terça-feira, 30 de maio de 2017
Mastros Populares nos polos do Museu da Ruralidade
Durante o mês de Junho vamos andar em volta da tradição dos mastros. Lombador e Aivados já começaram a preparar os seus mastros e o baile do Lombador será no dia 10 de Junho, a partir das 20 horas. Aqui, o Núcleo da Tecelagem associa-se à Associação Peixe Voador que, há vários anos, mantém viva a tradição. Nos Aivados as oficinas iniciam-se no dia 1 de Junho. Está feito o convite à participação!
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