Realiza-se a 4 de Novembro, em Coruche, o III Colóquio da Rede de Museus Rurais do Sul. Aqui fica o Programa definitivo.
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
segunda-feira, 2 de maio de 2016
Os últimos tocadores de harmónica do Baixo Alentejo
Os últimos tocadores de harmónica do Baixo Alentejo
Armanda Salgado
(Investigadora do CIDEHUS e da CÁTEDRA UNESCO EM PATRIMÓNIO IMATERIAL E SABER-FAZER TRADICIONAL - Universidade de Évora)
Testemunhos recolhidos no concelho de Castro
Verde, em Portugal, dão conta da existência dos tocadores de harmónica no Baixo
Alentejo, desde meados do séc. XIX. Se, outrora, os tocadores de harmónica, gaita de
beiços, simplesmente gaita, ou ainda conhecida por “flaita”[1], animavam os bailes da
região alentejana, funcionando tais eventos como verdadeiros focos culturais
nos sítios e localidades do Baixo Alentejo nos quais tinham lugar, na
atualidade tal já não acontece por inúmeras razões. Na verdade, não só a “arte”
de tocar não foi transmitida para as gerações seguintes, como também a rápida evolução
tecnológica a par com as alterações sociais vividas, nas últimas décadas,
acabaram por conduzir ao desaparecimento dos tocadores de harmónica.
Contudo, foi na região do Campo Branco,
em Aivados[2], no município de Castro Verde
que a arte de tocar harmónica foi relembrada, através da realização de um baile,
no dia 23 de Abril de 2016, animado pelos últimos tocadores de harmónica, Manuel
Florêncio, António Afonso e António Sousa, naturais do concelho de Castro
Verde.
Esta iniciativa foi promovida pelo
Museu da Ruralidade – núcleo da oralidade, em Entradas (município de Castro
Verde)[3], cuja filosofia funciona
em torno de duas referências estruturais: identidade e território. Pois, por um
lado, pretende não só valorizar e dignificar a memória, sem qualquer tipo de
preconceito na abordagem metodológica adotada, como procura, igualmente,
alargar o seu funcionamento ao espaço geográfico de Castro Verde, sem deixar de
contextualizar essa localização na região do Campo Branco.
Na verdade, o Museu da Ruralidade tem conhecido,
nos últimos anos, um processo de crescimento, no qual se destaca a criação, em
2015, do núcleo de Aivados-Aldeia Comunitária”. A especificidade local da
aldeia dos Aivados, onde a propriedade da localidade e os terrenos adjacentes
são pertença da comunidade, desde, pelo menos, meados do século XVI, mas cuja
manutenção de propriedade só foi possível devido a uma oposição forte, por
parte da população, fez com que o museu procurasse abrir este núcleo
museológico com o objetivo de dar a conhecer essa realidade.
Neste sentido, no âmbito da evocação
do dia 20 de abril de 1975, data que marca a recuperação de parte das terras da
comunidade aivadense, usurpadas durante o Estado Novo, teve lugar a atuação dos
tocadores de harmónica, assim como o II Encontro de Poetas populares no centro
de Convívio local, organizado pelo Museu da Ruralidade, com a colaboração da
Biblioteca Municipal Manuel da Fonseca e também da Associação do Povo de
Aivados.
Ouvir e conhecer os últimos tocadores
de harmónica do Baixo Alentejo, reavivou memórias, deu a conhecer um
saber-fazer que poucos detêm e contribuiu para a dignificação desta
manifestação popular.
O papel do museu da Ruralidade, na
multiplicidade das parcerias técnicas e científicas (por exemplo, Universidade
Nova de Lisboa e Universidade de Évora) em que atua, bem como a integração em
redes distintas (NUOME – Núcleo da Oralidade, memória e Esquecimento, criado no
âmbito do MINOM, Rede de Museus do baixo Alentejo e Rede de Museus Rurais do
Sul) é, desta forma, revelador da preocupação desta unidade museológica em
apresentar-se como uma plataforma de diálogo entre todos os actores envolvidos,
sem esquecer a comunidade na qual está inserido.
[1] OLIVEIRA
DE, Ernesto Veiga (1975). Pequeno guia para a recolha de instrumentos
musicais populares. Disponível em: http://alfarrabio.di.uminho.pt/cancioneiro/etnografia/ernesto.html.
Acedido a 30-04-2016.
[2] Aivados
é uma pequena aldeia, a 16 quilómetros de Castro Verde, cuja população é
proprietária de um terreno com cerca de 400hectares, onde se encontra instalada
há cerca de 500 anos.
[3] http://museudaruralidade.blogspot.pt/
quarta-feira, 27 de abril de 2016
Poesia popular do concelho de Cuba - Antologia
A poesia popular enquanto reflexo da construção cultural, social e antropológica das gentes da região do Baixo Alentejo, tem sido uma vertente de investigação pouco abordada ao longo dos anos. No entanto, amiúde aparecem publicações de poetas populares que vão mostrando uma realidade cultural muito esquecida, mas com um papel importante na construção deste ser alentejo. Paralelamente, o poder local democrático trouxe o aumento de competência dos municípios e, sobretudo, veio destacar o seu papel na divulgação do património cultural imaterial, valorizando-o nas suas mais diversas valências. A poesia popular é uma dessas vertentes de construção e valorização do património cultural regional e há exemplos extraordinários dessa riqueza, diversidade e multiplicidade de abordagens. A doutora Armanda Salgado (CIDEHUS), colaboradora do Museu da Ruralidade, deixa-nos aqui uma proposta muito interessante, editada pelo município de Cuba em 1997. A não perder!
SILVA, Joaquim Palminha - Poetas da nossa terra: antologia dos poetas populares do concelho de
Cuba. Cuba: Câmara Municipal, 1997.
Esta
antologia inclui composições poéticas, parte das quais ditas de improviso e
oralmente em diversas datas e ocasiões festivas, pelos poetas populares do
concelho de Cuba. Para o processo de recolha, que culminou com a edição da
antologia, contribuiu a colaboração das Juntas de Freguesia de Cuba, Vila Alva,
Vila Ruiva e Faro do Alentejo e ainda da Santa Casa da Misericórdia de Cuba.
Trinta
e oito poetas populares unidos pela poesia e por uma memória coletiva comum:
injustiças sociais, usos e costumes, economia e apontamentos de ordem moral,
que em tom jocoso ou em dom dorido dão a conhecer o Alentejo rural do século
XX. Esta publicação apresenta-se, assim, como mais um valioso contributo para a
construção da identidade e memória coletiva do Baixo Alentejo.
Assumindo
ao nível estrutural a forma de décima ou de quadra, estas composições, comuns à
poesia popular, impõem uma técnica rítmica, de redundâncias calculadas, de
apelos à memória do leitor/ouvinte para que ele se reencontre e revisite
personagens e sinais significativos distantes no tempo.
domingo, 3 de abril de 2016
Máquina de projectar oferecida ao Museu da Ruralidade
A oferta de espólio ao Museu da Ruralidade não é uma realidade de todos os dias. O valor do antigo ou do que cai em desuso (e valor no mais lato sentido, que não apenas no económico) está cada vez mais vivo nas pessoas. Fotografias, documentos, objectos, equipamentos, moveis, tudo é cada vez mais uma relíquia de família que cada um quer ter para mostrar. A valorização do património e sobretudo a sua dignificação, fenómeno a que vimos assistindo de forma muito positiva de há alguns anos a esta parte, considerando a sua importância para a construção do devir da comunidade, torna cada vez menos frequente que as pessoas ofereçam "as coisas velhas" que têm em casa. Alguns também não oferecem porque querem ver no imediato as coisas expostas, sem qualquer contextualização ou lógica. No entanto, nesta experiência do Museu da Ruralidade (de quase dez anos) temos tido uma "mecenas" incansável, cujo contributo tem enriquecido extraordinariamente este Museu. A Dona Maria Manuela Figueira. Nas suas viagens entre Castro Verde e Lisboa não são raras as vezes que oferece mais algum objecto ao Museu. Desta vez trouxe a terceira (!) máquina de projectar de 8m/m, o que nos transforma numa potencial reserva da história da multimédia. Em jeito de agradecimento aqui deixamos este registo, pelo exemplo, mas sobretudo pela forma abnegada como colabora connosco e como ajuda a construir este Museu.
Esta é uma Eumig P8, Phonomatic Novo. Austríaca. Comercializada entre 1963 e 1966. A máquina está acondicionada numa caixa (original) de couro castanho, forrada a veludo verde no interior. Como acessórios tem uma bobine, um cabo de alimentação eléctrico, uma escova de limpeza da máquina e um pincel (de origem alemã) para limpeza da lente. Faz parte deste conjunto o certificado de garantia da máquina. Uma pequena relíquia para um destes dias integrar uma nova exposição do Museu da Ruralidade. Nº Provisório de Inventário 2016/06 - 2/4/16.
Esta é uma Eumig P8, Phonomatic Novo. Austríaca. Comercializada entre 1963 e 1966. A máquina está acondicionada numa caixa (original) de couro castanho, forrada a veludo verde no interior. Como acessórios tem uma bobine, um cabo de alimentação eléctrico, uma escova de limpeza da máquina e um pincel (de origem alemã) para limpeza da lente. Faz parte deste conjunto o certificado de garantia da máquina. Uma pequena relíquia para um destes dias integrar uma nova exposição do Museu da Ruralidade. Nº Provisório de Inventário 2016/06 - 2/4/16.
terça-feira, 29 de março de 2016
I Ciclo de Conferências: Leituras a Sul
No próximo dia 7 de Abril, a partir das 14 horas, vamos falar de Arquivos na Biblioteca Municipal Manuel da Fonseca, em Castro Verde. A iniciativa está a ser desenvolvida pela Dra. Armanda Salgado, no âmbito do seu trabalho com o Museu da Ruralidade e o CIDEHUS (Centro Interdisciplinar de História, Cultura e Sociedades da Universidade de Évora). Neste pequeno encontro pretende-se provocar a discussão em torno de temas tão prementes como a unificação de arquivos, a salvaguarda de documentos, a digitalização e a disponibilização de documentação.
É um projecto ao qual está ligado o Museu da Ruralidade.
É um projecto ao qual está ligado o Museu da Ruralidade.
Aivados 1975 - 2016: 41 anos de memória
Realiza-se no próximo dia 23 de Abril, nos Aivados, a II Edição da evocação da recuperação das terras dos Aivados, organizada pelo Museu da Ruralidade, Núcleo dos Aivados - Aldeia Comunitária. A edição deste ano inclui, para além da caminhada Aivados - Cerro Ruivo - Aivados, uma pequena homenagem aos aivadenses já desaparecidos. Do programa faz parte um almoço convívio, a realização da II Edição do Encontro de Poetas Populares e um baile de harmónica à antiga.
O projecto da poesia popular, que o Museu da Ruralidade está a dinamizar, procura valorizar o trabalho que muitos poetas populares vão efectuando, dando corpo a uma tradição literária ancestral e que teve, até há cerca de três dezenas de anos, as folhas volantes como método de divulgação deste fazer poético de cariz popular. Unindo esforços com a Biblioteca Municipal Manuel da Fonseca, de Castro Verde, este projecto pretende dinamizar uma revista de carácter semestral onde se divulguem poesias, poetas e o produto do seu trabalho.
Os bailes de harmónica é outro dos projectos que o Museu da Ruralidade pretende desenvolver, procurando recuperar uma tradição praticamente desaparecida há cerca de 40 anos.
As inscrições para estas iniciativas podem ser feitas através do número de telefone 286 915 329 ou através do mail museururalidade@gmail.com.
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